Mostrando postagens com marcador Em Papel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Em Papel. Mostrar todas as postagens

30 de abr. de 2024

Brincadeiras De Papel e Início Da Internet

 


Quando comecei a frequentar a Internet, em 2001, não foi exatamente para apresentar minhas artes digitais. Para mim, tudo era novo e um deslumbre navegando e descobrindo as misteriosas paragens da web. Quanto a minha arte, naquela época o meu interesse era divulgar e distribuir os brinquedos de papel que eu desenhava à mão e escaneava. Enquanto isso, também começava a baixar no PC os primeiros programas de desenho, pra aprender a usar. Por isso, se você já conhece os meus blogs, acompanha posts e sabe das minhas atividades, mas talvez não saiba que eu tenho uma página exclusiva de Brinquedos de Papel; caso você tenha filhos, amigos e filhos de amigos naquela doce e tenra idade na qual as crianças adoram pintar, recortar, colar e se divertir com a magia do bom papel picado, estou hoje postando novamente o link da página, que leva aos álbuns de brinquedos: 


Existe uma outra página que também leva ao Clube Montage Brinquedos de Papel, que foi basicamente um dos primeiros posts sobre esta ideia e conta um pouco da história do seu lançamento. Fica bem no início remoto do blog. Quer prestigiar? Você pode clicar aqui e depois voltar: 



Apesar de frequentar a Web , a Internet ainda me fascina, pois está sempre em ebulição e para mim, hoje, é como uma jovem adolescente no seu período de puberdade,
que em certos momentos parece madura e responsável porém volta e meia se comporta como uma garotinha. Eu tenho mania de registrar os meus momentos e os momentos de transformação da Web e lendo alguns posts anteriores você vai encontrar a indicação e a seguir comentários sobre páginas que já foram desativadas pelos seus criadores. Gosto de explicar um pouco sobre estas súbitas e inesperadas mudanças.
Além dos brinquedos, tem um blog "artístico" que talvez você não conheça e se você for como eu, uma saudosista curiosa que guarda recortes aqui do Ciberespaço, este blog agora é um local de recordações. Você vai se divertir vendo um monte de pequenos vídeos e gifs experimentais. São as primeiras edições que realizei, aprendendo como fazer animações. Nossa, como eu gostava de fazer isso!

""O CONTO NO SLIDE"" 


Querendo mesmo tomar um pouco mais do seu tempo, se você estiver gostando, sugiro que entre no meu perfil e conheça alguns dos meus blogs, que você nunca visitou. Aposto que terá algumas surpresas. Você logo vai notar que é uma lista de variedades, também voltada a outros blogueiros que garimpei e indico como jóias da Internet.

Valeu a visita!

TCP



25 de jan. de 2024

VALORES ICONOGRÁFICOS INCONTESTÁVEIS

 2024


Antes de se julgar o artista ou sua obra, o público deve "aprender" a levar em conta o momento histórico que a obra foi realizada. Entre muitos valores importantes para se "meditar" uma obra de arte, talvez este seja um dos primeiros a se observar. Desde que a arte apareceu no planeta, ela cumpre dois seguimentos paralelos importantes e geralmente é o artista quem vai trabalhar isso. A arte poderá ser apenas iconográfica e registrar, como um retrato social, as atividades sociais. Na arte rupestre, trabalhada nas cavernas, feitas pelos artistas primitivos, para nós, o público, ela descreve a vida do cotidiano. Eles deixaram o registro das caçadas, dos combates entre os indivíduos, dos primeiros rituais. Um olhar mais apurado de peritos, observará mais valores expressos contidos nos achados rupestres. Mais adiante, no outro seguimento, a arte se revela estética. A ocupação maior é desenvolver no indivíduo o sentido de harmonia e padronização. Esta arte é quase sempre coletivizada, desenvolvida pela maioria das pessoas orientadas por um criador responsável nas tribos. Esta pessoa se destaca entre a população por claramente possuir um senso mais evoluído que aponta a harmonização de cores e formas, que geram a compreensão da beleza e os seus significados. Por isso o cocar dos Chefes é mais vistoso que os cocares dos outros e devido estas práticas estéticas se torna possível estabelecer uma linguagem, além da palavra. 

A prática estética é muito aplicada em festivais, festas comemorativas onde o povo se reúne para organizar festejos. No Brasil, é aplicada com muita responsabilidade e primor nos barracões de Escolas de Samba.

Os dois padrões não definem o que é certo ou errado, apenas carregam qualquer tipo de qualidade ou qualificação que se pretende apontar. 

Se o artista estiver retratando, quanto mais realista for, melhor será o retrato em termos ICONOGRÁFICOS documentais. Se o artista estiver criando, quanto mais esteticista for, melhor irá representar os atributos naturais visíveis ou sutis que se possa perceber, para projetar uma sensação e interpretação no observador. Para isso é preciso usar os elementos indicadores de época ou aqueles mais universais e realistas, entendidos pela maioria das pessoas não importando o tempo. Como a arte está em mutações constantes, a vertente estética produz padrões diferenciados, mas em qualquer caso tem que se guiar sempre por equilíbrio entre os elementos dentro da imagem.

 

Sempre que me deparo com a aguada abaixo, sinto uma dúvida: Será que o público vai entender que a criação é apenas uma representação iconográfica ou vão pensar que a artista é a favor das antigas práticas circenses, que usavam animais em espetáculos? Fiz esta imagem por volta dos meus dezesseis anos (por aí), treinando aquarela, que nem sabia ainda dominar. A bailarina representa a pureza da juventude e o elefantinho o amigo inteligente e bem treinado, ambos determinados a dar um belo espetáculo e arrancar aplausos eufóricos da platéia. No início da década de 70, um circo de cavalinhos, um grupo de focas amestradas  jogando bolas num picadeiro, provocaria estes sentimentos de alegria em toda a população infantil, juvenil e adulta mundial. Isto era certo e bastava para esgotar as bilheterias. Porém, nos anos 80 eu já não compartilhava desta visão e sentimento. Ao contrário, comecei a ver a exploração que havia por trás destes investimentos, embora saiba que em alguns casos raros e especiais exista sim uma parceria sincera e espontânea entre bichos humanos e de outras espécies. Em resumo, aos poucos fui me tornando uma ambientalista e hoje mantenho esta imagem como registro da minha evolução nas artes e como um documento ICONOGRÁFICO de época.  


A Bailarina

Aguada s/papel - Década de 70.

Expressionismo



Estamos em 2024 e guardada com muito zelo mantenho esta imagem original que talvez hoje tenha uns 52 anos, por aí. Ainda não datava as imagens e nem havia elaborado uma assinatura para usar de forma permanente. Durante muitos anos, remexendo os guardados e reencontrando o passado, me vi tentada a destruir a Bailarina. Sim, este é o nome, "A Bailarina". Mas o destino preservou a pintura e agora surgiu com o blog, a oportunidade de falar sobre este assunto. Isto se faz importante, quando encontramos este tipo de discussão sendo acirrado em redes sociais, quando artistas esteticistas são acusados injustamente de racistas e outras acusações, quando algumas pessoas não entendem os conteúdos das obra e preferem julgar os artistas. Já pensou se as pessoas se deparassem com as obras de Debret e o julgassem como "escravagista"?


O mesmo espero deixar claro desde já, quando atualmente faço arte reutilizando materiais descartáveis industriais. Falo deste tema no post abaixo, na matéria "O Novo Neoconcreto". Talvez algumas pessoas estejam inclinadas a pensar que sou extremamente favorável a perpetuar a sociedade de consumo, mas ao contrário não sou atualmente, nem contra nem a favor. Atualmente sou a favor de uma produção e produtividade mundial equilibrada, que espontaneamente saiba refrear os exageros e dar real e bom emprego aos elementos. Nos anos anteriores me envolvi bastante com as possibilidades de se criar sociedades alternativas, contudo não se pode descartar a produção coletiva efetiva sem gerar sérios desconfortos. O ideal é aliar um modelo ao outro e "manter o trabalho que desenvolve e o consumo auto renovável que abastece sem esgotar a natureza". No futuro, quando a "Era do Petróleo", já aparecer nos livros de história geral, descrita como um período desgastador, superado e finalizado, a maioria destes produtos industriais descartáveis que reutilizo nas minhas obras de arte, nunca mais serão encontrados aos montes nos lixões. Alguns estarão ainda nos brechós, outros expostos em museus ou nas prateleiras de colecionadores. Enfim, alguns elementos e objetos estarão integrados em esculturas e demais peças artísticas. Espero fazer parte destes expositores. 

TuliA


CONSULTE:


"Jean-Baptiste Debret - Escravidão no Brasil - Disciplina - História"

 http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=56&evento=1/

Visite


"Museu de Brasília | Material iconográfico - Envio de materiais - Brasília"

 http://www.museuvirtualbrasil.com.br/museu_brasilia/modules/news3/article.php?storyid=61

Visite

A Obra de Arte e Sua Leitura no Século Vinte e Um. 


Até poucos anos atrás a arte vivia atrelada aos interesses dos produtores investidores, que podiam contratar artistas, na maioria das vezes também ajudando na formação profissional dos estudantes de arte dentro das oficinas. Era difícil conseguir ganhar o pão, caso o artista fosse por demais independente e seguir somente sua inspiração, mas muitos conseguiam se sobressair apesar das grandes dificuldades. No entanto isto nem sempre foi assim. De civilização em civilização vemos claramente os momentos de liberdade e os momentos de subjugação das artes e dos próprios artistas. Depois do século dezenove, novamente a arte rompe seus grilhões após um longo período de acomodação aceitando os valores sociais, mas que também serviu de aprimoramento para muitos artistas dos períodos neoclássicos e impressionistas. Em dado momento na entrada do século vinte, artistas inovadores trazendo novas concepções, espanaram o marasmo dos conservadores e guardiões das academias e trataram de fazer o que tem que ser feito, demostrando, evoluindo e compartilhando para ajudar a humanidade expandir a consciência. Sempre que acontece, surge também um pessoal com certa dificuldade de acompanhar o processo evolutivo e não raro, repetem os mesmos velhos erros de avaliação. Isto é comum, porém também faz parte combater tal tendência e colocar os "bondes nos trilhos", para evitar desastres. 


Quando Picasso pintou Guernica, conta-se que um oficial da SS lhe perguntou, apontando para a pintura "Foi o senhor que fez isso?". Picasso respondeu: "Não, o senhor".



"1937: Bombardeio de Guernica – DW – 26/04/2019"

 https://www.dw.com/pt-br/1937-bombardeio-de-guernica/a-800994

 Visite


COMENTÁRIO:


"Não se pode provar mas não é raro que em muitas críticas feitas a artistas ou suas obras, encontramos embutido as sementes venenosas dos críticos, nos próprios críticos. Até mesmo alguns intelectuais, críticos de arte e pessoas ilustres, foram infelizes em seus julgamentos diante das obras inovadoras e isto vem continuamente ocorrendo ao longo da história das artes. É uma lição de vida tão repetida e tanta gente ainda cai nessa." Impressionante!!


10 de jan. de 2022

Pixels

 


Nankin, Xerox e Pixels. 2021 - Vídeo 

"Agora os tempos eram de muita novidade e renovação,  liberdade para desenvolver técnicas do passado e presente sempre de olho no futuro, misturas e experimentação." É assim a descrição do vídeo " Nos Anos 70 De Contracultura - Pop Art", que postei esta semana no YouTube e vc poderá assistir clicando na imagem acima. 
Para entender este post vc terá que ajudar interagindo um pouco, evitando que eu escreva um texto enorme com coisas que já foram ditas no blog. Rolando o blog, vc vai encontrar esta imagem atualmente recriada em "pixels" e vai entender todo o sentido da coisa. 
Não existe atualmente em literatura muita informação precisa sobre a Contracultura que floresceu  na década de 70 em vários sentidos os quais ela influenciou profundamente. Encontrar material de estudo é difícil até mesmo para quem procura fazer teses universitárias sobre este movimento histórico. Não pretendo aqui estender o assunto explicando os motivos disto, mas se vc é um interessado em arte desta época, vai se valer do depoimento dos artistas que viveram o momento ativamente, já que ainda não existem dados completos para estudos didáticos e literários. Posso adiantar que nos anos 70 e a partir, nós os jovens artistas estávamos completamente empenhados em reestudar toda a história das artes dos séculos anteriores e fazer reeleituras dos novos movimentos gerados no século vinte, unindo técnicas, misturando elementos.
A nossa paixão era intensa, voltada para a conquista do novo, conforme explico no post abaixo que será de grande ajuda vc ler também.
Nossa incessante busca, não era estimulada por promessas econômicas, típicas das carreiras promissoras. Desde o passado distante até o hoje e o agora, o mercado de artes plásticas mundial, não se parece em nada com as outras profissões, que garantem sustento e enriquecimento. O destino de um artista plástico é sempre incerto e o que move o indivíduo a continuar, tem que ser maior que as necessidades vitais ou as ilusões passageiras, de fama do ego.
Além da minha produção artística pessoal, muitas outras realizações, estudos, técnicas e experimentos desta época, que não aparecem no meu blog, será possível ser encontrada em arquivos iconográficos de bibliotecas ou blogs e sites oficiais dos próprios artistas. O ditado popular diz o seguinte: 
“Uma imagem vale mais que mil palavras”. É uma expressão popular de autoria do filósofo chinês Confúcio, utilizada para transmitir a ideia do poder da comunicação através das imagens.
Porém, assim como as interpretações das palavras podem ser distorcidas, pode acontecer também de uma imagem não ser interpretada corretamente. Aliás este fato é muito comum, ocorre e já ocorreu inúmeras vezes na história das artes. Por isso, as vezes apenas mostro as obras de arte aqui no blog, mas subitamente resolvo escrever na tentativa de deixar claro o que se vê.
Mas sobre "Pixels, que é título do blog? Aonde ele aparece na história desta safra de artistas? 
Ele aparece no resultado de nossas pesquisas ópticas e pictóricas comprovadas nos espaços virtuais. A extensão do estudo da cor e da forma que a anos já estimulava toda uma geração científica. O surgimento do pixels foi a resposta aos anseios dos artistas criadores, observadores e responsáveis pelos conceitos atribuídos a imagem. A palavra pixel é uma combinação dos termos “picture” e “element”. Ou seja, “elemento de imagem”. É a menor unidade de uma imagem digital, independente de sua fonte. Baseado nas cores primárias, cor luz, com o desenvolvimento da informática finalmente chegamos ao tão esperado e celebrado novo. Trabalhar com cor luz, desenvolver o 3D e mais uma infinidade de possibilidades. Apesar destes estudos não serem para os leigos, servem também para o seu desfrute. Toda o conhecimento estudado, desenvolvido e aprimorado de todos os séculos, desde os primórdios, pesam como o legado, a herança usada na prática simples do cotidiano das populações. Gosto de falar de tudo isso com muita reverência e relevância. Nada do que construímos foi fácil de se conseguir. Para o espectador e usuário atual, tudo é tão rápido e fácil que parece mágica, ou uma criação divina assim como um fruto, uma flor, um sol nascendo ou descendo no poente. Sim, é divino, mas também é o divino se manifestando em união aos seus filhos, homens de boa vontade, amor, coragem, fé, inspirados e dedicados. 
Se vc gostar do vídeo, dos posts ou do blog, por favor manifeste o seu entusiasmo no vídeo, deixando um "like", ou um simples comentário. Vc também pode deixar uma mensagem no Livro de Visita, lá no início do blog. 

20 de dez. de 2021

Gestual

 

A maioria das artes que apresento neste blog datam de 1980 em diante, mas eu comecei a rabiscar na infância e me assumi artista plástica em 1972, aos dezessete anos. Infelizmente as obras que fiz nesta época não resistiram ao tempo ou foram dadas de presente. O princípio da minha tomada de consciência artística, voltada a profissão, foi parecida com o que acontece com a maioria. Desenhava e pintava, reconhecendo as ferramentas e os materiais. A auto valorização era constante mas a auto crítica vigiava ao lado e não demorou para que eu começasse a me interessar pelos famosos grandes mestres e daí descortinar o profundo, significativo e verdadeiro mundo das artes. É comum iniciantes se tornarem discípulos apaixonados por vários artistas gloriosos que deixaram legados, até por que é preciso se atualizar constantemente e não se iludir, acreditando que descobriu algo novo enquanto exercita, mas que de fato, tal estilo já foi criado anos anteriores, séculos ou décadas. Reproduzir estilos já criados, misturar escolas hoje em dia também é muito normal. O meu interesse se estendeu da pré-história ao 3d atual, passando por toda arte já concebida. A história da arte, nos remete ao estudo da história da humanidade e nos ajuda a entender melhor a qualidade de vida e avaliar a mentalidade dos povos, mas para isso é importante aprimorar o conhecimento sobre as técnicas utilizadas em cada tempo. Os períodos são marcados por evoluções ou degradaçōes que podem se dar até mesmo paralelamente. Ter nascido no século vinte ou vinte e um é um precioso previlégio, ao se observar o acúmulo de conhecimentos já adquiridos, contudo se torna mais difícil realizar o novo, aquilo que está por vir e ainda ninguém, ou nenhum grupo concebeu. Estávamos assim neste entremeio e final do século xX, lapidando, burilando o novo. Havia um muro transparente onde cada artista se lançava estudando, ocupado de corpo e alma rumo ao novo. Efervescência cultural que nos excitava a estudar, recapitular, destrinchar e experimentar. Sim, veio o novo, mas isto é outro assunto para um outro post. Diante do portal transparente eu também me projetava, batia e retornava na força do rebatimento e lá estava eu levada a algum andar do platô das artes. Um dia caí no andar do Gestual. Até então eu era uma artista figurativa. Antes, apesar de ser auto didata eu resolvi conhecer melhor o desenho e estudar as técnicas renascentistas de "claro escuro", para superar alguns impedimentos que cerciavam a minha liberdade. Um estudo maravilhoso que me abriu os olhos e a percepção. Estudei dois anos no Liceu de Artes e Ofício, com o mestre catedrático Jaime Pereira Ramos. O curso era diário e de segunda a sexta-feira, três horas por dia. Mas deste aprendizado, me prevaleci apenas do conhecimento e do aprimoramento óptico, pois empreguei tudo nos meus estilos pessoais bem longe dos modelos acadêmicos. Anos mais tarde, visitei o professor em ateliê de sala de aula e ele me perguntou, diante dos alunos estudando cada um em seu cavalete: _Está pintando o quê? _ e eu respondi _ Abstrato. _ ele sorriu, notei que verteu uma lágrima, disfarçadamente e elogiou o Abstracionismo, diante de todos e com voz alta para que todos ouvissem, usando aquele seu tom peculiar de severidade. E como sempre, todos ouviram sérios e introspectivos.

Mas, continuando de onde parei, subitamente me deparei com o Gestual, que era uma escola já desenvolvida na década de 40, mas que voltou a figurar entre as práticas e estudos da minha geração. No íntimo eu sentia vontade de experimentar o Abstracionismo, pois já havia desfrutado bastante do Expressionismo, Fauve, Cubismo, Pontilhismo, e outros "ismos", na pintura e desenho com aquarelas, nankins, guaches e hidrocores, canetas, bicos de pena e lápis variados. Materiais que me fascinavam, ganhando vida sobre papéis. Também pintava telas a óleo, na verdade a minha primeira convivência básica, mas os materiais aquosos passavam uma fuidez convidativa ao abandono das formas. No entanto a rigidez do carvão e do lápis mantinha a atenção clara e objetiva do traço. Como romper ou migrar deste universo tão complexo e completo para as esferas das desconstruções, sem timidez? Reconheço que as teorias do Fauve em favor da cor pura em muito me auxiliaram, talvez um pouco de cada uma dessas escolas que surgiram praticamente no mesmo instante se uniram e dinamizaram as próximas ações reveladoras do meu tempo pessoal abstrato. Foi como um ritual seguido de etapas. É preciso conviver diretamente para entender de fato os valores contidos analisados e o mais interessante é que os resultados obtidos também podem agradar e sensibilizar os leigos espectadores que passam a reconhecer aquela esfera visual carregada de atributos, através da nova arte apresentada.


A arte do gesto, me levou aos princípios da arte e das formas. A origem das formas que emergem do âmago do ser envoltas em novelos da nossa inspiração. Antes mesmo que se possa racionalizá-la, a forma original se forma para surgir e se materializar por algum meio, no caso desenhada ou pintada no papel. Percebi que assim provavelmente surgiram as primeiras formas riscadas do horizonte primitivo. O gesto livre, descontraído e instintivo do rabiscar a terra com gravetos e a imediata percepção do ser humano pré histórico de reconhecer a forma projetada ali no chão, semelhante justamente ao que ele observava mentalmente, pode tê-lo despertado para a criação dos primeiro símbolos, das primeiras imagens rupestres e aí se abrir uma infinidade de portais que chegaram até o surgimento da escrita e desencadearam o armazenamento dos conhecimentos. Existem técnicas especiais para desenvolver as dinâmicas gestuais e técnicas especiais para observar os graus de sua desenvoltura, teoria e prática. As mais comuns estão associadas as manchas de tinta e linhas. Eu desenvolvi todas que pude captar e perceber e até hoje, volta e meia sinto- me inspirada em fazer obras gestuais. Em resumo, mergulhada na Arte Do Gesto, pude trajetoriar nas formações da forma, construção e desconstrução sem romper praticamente com o figurativo. Esta liberdade de ir e vir, foi então mais libertária do que a ação racional de criar imagem forçadamente sem forma reconhecida, aparente. Até por que este conceito pode servir de base teórica, mas é mais imaginativo que real. Por isso o Abstracionismo desdobrou-se em sequência e assim continua para mim e outros artistas. Depois deste contato com o Gestual, me senti muito mais à vontade para criar Abstratos, apesar do Abstrato historicamente ter surgido antes e o Gestual ser considerado mais uma de suas vertentes. 
No vídeo abaixo vcs poderão assistir a exposição do Dragão Vermelho, no virtual Teatro Exposição. Nela estão reunidos técnicas físicas de lápis cera escaneada e pixels. Basta clicar na imagem.
O Dragão Vermelho, foi criado, como ilustração, inspirado em um conto do "Realismo Fantástico" em 2014, que ainda não foi publicado. O conto não menciona a técnica artística Gestual, mas a imagem surgiu espontânea enquanto eu escrevia. 


Lápis Cera e Pixels  2014 - Vídeo 


4 de jul. de 2011

No Telhado!


Giz de cera e nakin
1988 - Ass. no verso

Antes do PC, o Futuro!

....Imaginar o futuro é mais antigo do que se pensa e deve ter sido a mola mestra que conduziu os idealistas e sonhadores de todos os tempos. Quando fiz esta imagem e muitas outras sobre o tema, os computadores também, ainda faziam parte dos nossos sonhos. Mas que bom que esta idéia já se concretizou e podemos compartilhar novas imagens.
Montagem
Guache e hidrocor

No Futuro

Montagem
Guache e hidrocor
Anos 80

27 de jun. de 2011

Estreando na Internet


....Quando eu estreei na Internet ela estava começando a ficar madura e interessante. O pessoal já estava usando o Windows 98 e esse foi o meu primeiro computador. O que me atraiu para a Internet não foi à novidade que ela significava, isso eu só pude vislumbrar quando passei a usar . Nesta época eu iniciava à criação de Brinquedos de Papel e percebi que poderia usar os recursos da Web como um meio de divulgação e distribuição dos brinquedos. O meu primeiro site de brinquedos se chamava Montage Brincadeiras de Papel e nem fui eu quem montou. Na verdade eu ainda nem tinha um computador.

Eu fazia os desenhos à mão e montava a arte final em papel A4. Usava máquina de escrever para os dizeres, pois era o recurso mais fácil disponível do momento. Depois levava para o provedor, Cruiser.com.br e pedia para o Webmaster criar links, que levassem aos brinquedos. O rapaz ficava meio confuso com esse tipo de página um tanto louca e sem técnica, mas no final das contas acabava dando certo. Rsrsrs...

Quando eu coloquei o Montage no ar ele teve uma boa audiência e vendo esta repercussão resolvi aprender a lidar com os recursos. De lá para cá, desde 2001, saltando de provedor em provedor, até acertar o estilo e a melhor forma de levar os brinquedos ao público, enfim chegamos ao estilo Blog, que facilita todos, tanto quem posta como quem visita. Se quiser conferir sobre os brinquedos, atualmente, visite: http://lojinhaludica.blogspot.com . BR - 2011

Bico de Pena

....O original foi feito em nankin para tiragem gráfica em Off-Set. Nos anos 80 fiz algumas ilustrações gráficas. Desta forma não precisava vender os originais. Alguns inclusive eram criados com montagens, visando o produto final, ou seja, a Ilustração Gráfica propriamente dita. Certo dia, passando na porta da Biblioteca Nacional do RJ, depois de vender algumas ilustrações na Cinelândia para os transeuntes, resolvi doar esta ilustração e outra, que formam um par, para o acervo de Iconografia da Biblioteca, um lugar que sempre gostei de visitar e pesquisar. Ao fazer a doação, a moça da recepção que registra e recebe as doações, se espantou ao saber que se tratava de cópias e estranhou, por eu não fazer a doação dos originais. Expliquei a ela que se tratava de um par de gravuras, assim como gravuras em metal, Ponta Seca, Água Tinta ou feita em madeira, como a Xilo. Claro, que não é necessário destruir o original em nankin, conforme se faz com as placas das gravuras após as tiragens. O que percebi de interessante nisto tudo, é que o pessoal ainda não estava muito familiarizado com esta tendência artística de inclusão das artes gráficas, como um produto artístico final. Mas ela aceitou a doação de bom grado. Eu fiquei satisfeitíssima de ter uma obra minha no acervo. E se você tiver tempo e curiosidade para conferir, visitando a Biblioteca, pode encontrar esta ilustração Off-Set, que hoje já deve estar bem amarelada, afinal já faz mais de vinte anos!

....................................................................................................................................Nankin